Propostas da ABDAN para presidenciáveis apontam oportunidade do Brasil exportar combustível nuclear

celso-cunha

Começou a contagem regressiva para as Eleições 2022. O país está a pouco menos de três meses da realização do pleito, que escolherá o nome que comandará o governo federal pelos próximos quatro anos. A agenda dos candidatos à Presidência da República se intensifica, com um número maior de reuniões com os mais diferentes tipos de agentes econômicos. Nessa jornada, o setor nuclear está sendo representado pela Associação Brasileira para Desenvolvimento das Atividades Nucleares (ABDAN). Como já noticiamos, a entidade lançou recentemente um caderno com um conjunto de propostas para os programas de governo dos candidatos. O primeiro a receber o material foi o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, representando o presidente Jair Bolsonaro (PL). Além disso, a ABDAN entregou o documento também para a campanha da candidata Simone Tebet (MDB). Já na próxima quarta-feira (6), o material será apresentado ao comitê de campanha do ex-presidente Lula (PT). O presidente da ABDAN, Celso Cunha (foto), destacou que a receptividade até aqui tem sido muito positiva. “Os membros das campanhas dos candidatos ficaram impressionados com o potencial do setor nuclear em termos de geração de empregos e negócios”, afirmou. O dirigente da associação também frisou que as propostas apresentadas pela entidade têm o potencial de fazer com que o país passe a exportar combustível nuclear para outros países. “O Brasil pode ocupar um papel importante como fornecedor de combustível, não só para as grandes usinas, mas principalmente para os pequenos reatores modulares”, projetou Cunha.

Diretoria da ABDAN esteve recentemente em Brasília para apresentar propostas do setor nuclear

Quem serão os próximos candidatos a receber o caderno de propostas da ABDAN?

O núcleo da campanha do PT marcou para o dia 6 de julho uma reunião na Fundação Perseu Abramo, em São Paulo, para receber o caderno de propostas da ABDAN. Além disso, o documento já foi entregue para a Elena Landau, que está coordenando o programa de governo da candidata Simone Tebet. Ela gostou bastante do conteúdo das propostas e disse que os temas serão discutidos internamente, antes de ser anunciada a proposta de programa de governo da candidata do MDB. No próximo dia 8, teremos um novo encontro com a campanha da Simone, desta vez para apresentar um documento com as propostas do Fórum das Associações do Setor Elétrico (FASE).

Como tem sido a receptividade dos candidatos que receberam as propostas até aqui?

A receptividade tem sido muito boa. Os membros das campanhas dos candidatos ficaram impressionados com o potencial do setor nuclear em termos de geração de empregos e negócios. Essa boa receptividade tem gerado uma certa expectativa positiva, no sentido de que as propostas da ABDAN sejam incorporadas nos programas de governo dos candidatos à Presidência.

Essa aproximação com os candidatos à Presidência ajuda, em algum grau, a melhorar a aceitação pública da fonte nuclear?

General Heleno recebeu propostas da ABDAN

Eu não tenho dúvidas disso. Precisamos fazer a discussão do tema nuclear com os representantes da classe política. Eles, por sua vez, vão falar sobre a fonte para as suas bases eleitorais. Assim, vamos desmistificando o uso dessa tecnologia. A fonte nuclear está presente no nosso dia a dia, seja na saúde, na energia e até mesmo nos alimentos. São muitas as aplicações.

Esse múltiplo uso da tecnologia nuclear é muito importante para a sociedade. Além disso, durante a COP-26, foi publicado um estudo que deixou muito claro o papel da energia nuclear para as metas climáticas dos países. Sem o uso da tecnologia nuclear, os objetivos de redução de emissões de CO2 não serão cumpridos. Ou a tecnologia nuclear entra e ajuda nessa jornada de transição energética ou vamos ter um planeta cada vez mais poluído.

Em nossa última entrevista, abordamos as sugestões da ABDAN relacionadas à geração de energia, medicina nuclear e irradiação de alimentos. Poderia detalhar desta vez algumas das propostas para algumas das etapas do ciclo do combustível nuclear (mineração, beneficiamento, conversão e enriquecimento de urânio)?

Yellowcake-concentrado-de-Uranio.-Fonte-INB.

Podemos ampliar a capacidade produtiva do Brasil em mineração e beneficiamento do urânio, tanto para o mercado interno quanto para o externo, com a flexibilização do marco regulatório, permitindo investimentos e atuação do setor empresarial privado. O resultado disso é que, entre 2023 e 2026, a exportação de concentrado de urânio (U308) deverá alcançar US$ 22 milhões por ano. O beneficiamento de urânio também possibilitará ao Brasil buscar sua auto suficiência em insumos críticos para a produção de fertilizantes.

A flexibilização do marco regulatório e os investimentos para a parceria da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) vão ampliar a capacidade de conversão do urânio em hexafluoreto de urânio (UF6) no Brasil. Assim, entre 2027 e 2031, a exportação de serviços em reatores e serviços de engenharia para projeto de elemento combustível deverá atingir US$ 1,5 milhões ao ano. Por fim, a ampliação da nossa capacidade de enriquecimento poderá permitir o Brasil alcançar o patamar de US$ 2 milhões por ano em exportação de urânio enriquecido.

Qual o potencial do Brasil enquanto exportador de combustível nuclear?

O Brasil pode ocupar um papel importante como fornecedor de combustível, não só para as grandes usinas, mas principalmente para os pequenos reatores modulares, que são empreendimentos que vão fazer uma disruptura tecnológica no setor de produção de energia. O Brasil precisa deixar de ser apenas um exportador de commodities. É necessário gerar emprego e renda e isso só se faz com produção local, abrindo postos de trabalho.

Fonte: Petronotícias