Dívida da Eletronuclear com BNDES põe em risco operação de Angra 1 e 2 e conclusão de Angra 3

Dívida da Eletronuclear com BNDES põe em risco operação de Angra 1 e 2 e conclusão de Angra 3

Usinas de Angra

É muito delicada a situação da Eletronuclear. A necessidade de  fazer o pagamento dos juros do financiamento ao BNDES, 30 milhões de reais a cada mês, pode inviabilizar a empresa e comprometer a geração de energia das usinas Angra 1 e Angra 2, além de jogar por terra a conclusão de Angra 3.  A empresa também deve as contrapartidas acertadas com  três municípios da Região da Costa Verde: Angra dos Reis, Rio Claro e Paraty. O imobilismo do governo federal para resolver a situação, que está ciente do problema, é a principal razão que está pondo em risco uma operação estratégica para o país.

Essa situação crítica que a empresa passando, motivou a formação de alguns movimentos. O primeiro deles foi a iniciativa da ABDAN – Associação Brasileira de Desenvolvimento das Atividades Nucleares – que saiu em defesa da Eletronuclear. O Presidente da Instituição, Celso Cunha, esteve em Brasília chamando atenção para o problema. Na Câmara e no Ministério das Minas e Energia. Esteve também com o Secretário da Casa Civil do Rio de Janeiro, Christino Áureo, e ainda o Vice-Presidente da Câmara do Rio de Janeiro, Deputado André Ceciliano. Ceciliano está organizando  uma audiência do pública para discutir o problema.

Os prefeitos de Paraty, Rio Claro e Angra dos Reis, também estão  mobilizados em defesa de seus municípios e também da própria Eletronuclear. No fundo, estão fazendo mais do que os responsáveis por este setor do  Ministério da Minas e Energia. Pelas dificuldades que passa, a Eletronuclear também não consegue cumprir com os pagamentos das contrapartidas das cidades. Com apoio dos Prefeitos de Angra dos Reis, Fernando Jordão, e de Rio Claro, José Osmar,  Já nesta segunda-feira, dia 6, o Prefeito de Paraty, Carlos José Gama Miranda e o Vice-Prefeito, Luciano Vidal, o Secretário de Assistência Valdecir Machado, estarão em Brasília, protocolando um documento denunciando o problema e fazendo três pedidos básicos ao  Presidente Michel Temer e ao Ministro Fernando Coelho Filho, das Minas e Energia:

  • Suspensão dos pagamentos dos juros mensais que a Eletronuclear paga ao BNDES;
  • Cumprimento dos termos de compromisso com os três municípios;
  • Conclusão da Usina Angra .

O Petronotícias conversou com o Prefeito de Paraty, Carlos Gama Miranda, conhecido como Casé, respeitado em sua cidade, querido pela organização das Flips realizadas na cidade anualmente,   que está nada satisfeito com a situação:

– A cidade precisa receber as contrapartidas acertadas nos termos de compromisso, mas a empresa precisa estar saudável para funcionar para operar e fazer os pagamentos. Neste momento tendo que pagar mensalmente  milhões de reais para o BNDES de um financiamento em que a obra está parada, não me parece lógico.

– O senhor também irá à Câmara ?

– Vamos protocolar esse documento na Presidência da República, vamos ao Ministro Fernando Coelho, vamos na Câmara, no Senado. Vamos também ao BNDES. A insensibilidade tem que acabar. O comprometimento orçamentário da Eletronuclear, pelo que temos conhecimento, compromete, inclusive, o pagamento do combustível nuclear para operar as duas primeiras usinas. Se não pagar a INB, não haverá combustível e não haverá geração.  Será que isso não irá sensibilizar quem precisa se sensibilizar?

A Eletronuclear acabou de trocar o seu presidente. Assumiu o experiente e competente  Leonam Guimarães, que deve estar tomando conhecimento da batata quente quedewd herdou. Nós não conseguimos falar com ele, mas se sabe que,  sem apoio, também não conseguirá resolver os problemas.  Para sair da situação a Eletronuclear precisa conseguir suspender imediatamente os pagamentos ao BNDES; Equacionar o orçamento do ano que vem da INB para que não haja interrupção de fornecimento de combustível para as usinas; Definição da forma que a Eletronuclear e Itaipu serão segredadas da Eletrobrás; Decisão do CNPE sobre a retomada dos empreendimentos; Definir a modelagem da parceria internacional  parceria para Angra 3  e proteger Angra 1 e Angra 2 das dívidas de Angra 3.

Também  nesta segunda-feira, o Deputado Wilson Bezerra, vai liderar uma frente parlamentar na Câmara Federal, para defender os interesses da Eletronuclear. Ele também conversou com o Petronotícias:

Deputado Wilson Bezerra

Deputado Wilson Bezerra

– Vou conversar com os deputados e vamos formar uma frente parlamentar para cuidar deste problema. Vou falar diretamente com o presidente da Câmara, o Deputado Rodrigo Maia, para colocar na pauta como prioridade o assunto Eletronuclear, a INB e a conclusão da Usina Nuclear Angra 3.

– Quais as ações o senhor pretende colocar em prática ?

– Nós temos que discutir e agir rapidamente. Hoje mesmo já estarei pedindo uma audiência com o presidente do BNDES para tratarmos do pagamento dos juros da dívida da empresa. Angra 1  e Angra 2, são usinas superavitárias.  Mas as obras de Angra 3, paradas há tanto tempo, não justificam que a empresa pague ainda mais por isso. O caso precisa de uma  solução. E rápida.

– Os prefeitos da região também estão mobilizados e estarão em Brasília para isso.

 Todas as cidades da Costa Verde do Rio de Janeiro sofreram e ainda estão sofrendo com o índice de desemprego, do aumento da violência. A Eletronuclear não é uma empresinha. Ela é estratégica para o país. Além disso, a sua função social é imensa. As dificuldades estão consumindo os recursos da empresa. Não é justo que ela pague os juros justamente para o BNDES,  que sabe que as obras estão nesse compasso de espera. O banco sabe do desequilíbrio financeiro em razão das obras paradas. Precisamos salvar a empresa.

– Como o senhor acha que o assunto terá o apoio do Deputado Rodrigo Maia ?

– Com certeza ele nos apoiará, porque sabe da importância que a Eletronuclear tem para o Brasil e especialmente para o Estado do Rio de Janeiro e para as cidades vizinhas. Vamos levar os prefeitos das cidades na Câmara, vamos nos mobilizar porque não se pode esperar mais. A cada dia, a situação piora.

– Como o senhor vê a formação de parcerias internacionais para terminar Angra 3 ?

– Com bons olhos. Sei do interesse dos russos, franceses e chineses. Não é para vender a empresa, mas formar uma parceria estratégica para esta e para as outras usinas nucleares. Precisamos disso. Precisamos viabilizar logo estas parcerias, até mesmo para dar suporte ao nosso plano energético.

 

Fonte: https://petronoticias.com.br/archives/105081