ABDAN LEVA PROPOSTAS DO SETOR NUCLEAR AOS PRESIDENCIAVEIS COM MEDIDAS QUE PODEM CRIAR MILHARES DE EMPREGOS

ABDAN LEVA PROPOSTAS DO SETOR NUCLEAR AOS PRESIDENCIAVEIS COM MEDIDAS QUE PODEM CRIAR MILHARES DE EMPREGOS

O Brasil já está vivendo o clima das eleições de outubro. O setor empresarial, por sua vez, se movimenta para levar seus pleitos aos presidenciáveis. No caso da indústria nuclear, a Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan), que reúne as principais companhias desse segmento, elaborou uma série de propostas para os candidatos ao Palácio do Planalto. As medidas incluem a conclusão de Angra 3, a construção de quatro novas usinas e a criação de um programa de Estado para o setor. Essas ideias não beneficiariam apenas o mercado nuclear, mas trariam também ganhos para todo o Brasil. “Cada usina dessa gera, no pico, até 9 mil empregos diretos. Olhando para a cadeia indireta, e multiplicando por aquele fator consagrado de 3,6, estamos falando de 36 mil empregos diretos e cerca de 140 mil indiretos. E isso apenas na área de geração”, afirmou o presidente da Abdan, Celso Cunha. Além disso, a construção de novas centrais também vai ajudar na redução dos custos na energia elétrica. “Imagine que coloquemos Angra 3 e mais quatro usinas em operação, podemos ter um impacto (desconto) de 7,5% no preço da tarifa média, o que é muita coisa”, acrescentou.

Qual o objetivo da Abdan ao apresentar essas propostas aos presidenciáveis?

A nossa intenção é mostrar como as empresas estão enxergando o setor nuclear brasileiro, principalmente a parte de geração. Queremos apresentar, aos candidatos à Presidência, como isto pode afetar na criação e geração de empregos. Até porque, em nossa proposta, as usinas serão construídas com recursos de empresas [privadas], associadas à Eletronuclear. Mas, para isso, é preciso que o governo avance com a questão de Angra 3, enquanto que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) preveja novas usinas no Plano Nacional de Energia (PNE 2050).

O senhor poderia detalhar os benefícios que o setor nuclear pode gerar para o país?

Só para se ter uma ideia, para cada usina, estamos falando de US$ 9 bilhões. Este é o custo de cada uma delas. Então, é plenamente factível que as empresas estejam interessadas em participar destas construções. E, o mais importante, a um preço de venda de energia de cerca de R$ 400 MW/h, que é muito inferior ao que temos de usinas térmicas. Isso é uma questão muito importante, porque podemos ter uma redução na tarifa de até 1,5% para cada usina dessa que entrar na rede. Imagine que coloquemos Angra 3 e mais quatro usinas em operação, podemos ter um impacto de 7,5% no preço da tarifa média, o que é muita coisa.

E em termos de geração de empregos? Quais serão os impactos positivos caso as propostas sejam colocadas em prática?

Cada usina dessa gera, no pico, até 9 mil empregos diretos. Olhando para a cadeia indireta, e multiplicando por aquele fator consagrado de 3,6, estamos falando de 36 mil empregos diretos e cerca de 140 mil indiretos. E isso apenas na área de geração.

Como consequência do aumento de usinas, a INB (Indústrias Nucleares do Brasil) teria que completar todo o ciclo de produção e aumentar seu parque para suprir isso. Nossas minas de urânio estão paradas e precisariam passar a produzir novamente. Dessa forma, estamos falando de 200 mil a 300 mil empregos indiretos e diretos. Isso é um impacto grande. Consideramos muito importante esse fato, especialmente porque o Brasil vive uma crise hídrica. Temos limitações colocadas pela preocupação ambiental. Então, a Abdan considera essa proposta como sendo conservadora e que é factível para o próximo Presidente da República dê partida nisso.

Apesar de todas as dificuldades, é plenamente possível a construção das quatro novas usinas propostas?

É plenamente possível. Com isso, podemos dar estabilidade ao sistema, com espaço para todas as fontes de energia. Há espaço para todo mundo na matriz energética. A nuclear traria muita credibilidade ao nosso sistema elétrico, porque tem um fator de capacidade de 90% – ou seja, durante 90% do tempo ela está gerando. No caso da energia solar, esse fator é de 20%. Mas, claro, nem por isso que a solar deixa de ser atrativa. Mas ela sozinha não resolve o problema do Brasil. Precisamos de energia de base.

Outra proposta da Abdan é a criação de um programa de Estado para o setor nuclear. Por que considera isso importante neste momento?

O setor nuclear passou por muitos anos sendo desarticulado. E precisamos enxergar este segmento como uma questão estratégica do país. Ele precisa ser um programa de Estado e não de um governo apenas. Um programa dessa natureza perpassa governantes. No caso da usina de Angra 3, precisaríamos de 55 meses para começar a gerar energia elétrica. Um período de 55 meses ultrapassa o mandato de um presidente. Outra questão importante é que o segmento precisa ser reestruturado.

De que forma?

Nós precisamos separar a questão da regulamentação e fiscalização da área de pesquisa e produção. São coisas totalmente distintas. É regra básica de qualquer administração: quem projeta não executa e quem executa não fiscaliza. Não podemos ter tudo dentro de uma instituição apenas. Está na hora de separar essa questão como um todo.

Não podemos esquecer também do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB). Ele é um projeto que vai levar cerca de 4 anos para estar plenamente operacional. Hoje, temos um volume de procedimentos [médicos] sendo executados que é cinco vezes menor que o da Argentina – que, por sua vez, tem uma população cinco vezes menor que a do Brasil. O nosso país não atende a população na área de medicina nuclear. É importante lembrar que esse atendimento de saúde está concentrado no Sudeste e do Sul do país. É importante levar a todos os centros de distribuição [esses medicamentos]. Veja o arraste em volume de empregos que vão ser gerados, desde técnicos até os médicos. Por isso, os nossos governantes devem governar para o país e enxergar além de seus mandatos. Por isso que, nesse momento, nos colocamos à disposição de levar essas propostas aos candidatos e que essas ideias façam parte de seus programas de governo.

E como está o interesse das empresas privadas em participar de projetos no setor nuclear?

O mais importante é que a iniciativa privada está disposta a colocar recursos. Neste momento, onde o país precisa de dinheiro para tudo, não adianta ter propostas para áreas onde não há recursos. Com as propostas da Abdan, estamos apresentando um caminho com recursos. Acho que nós, como uma associação que busca o desenvolvimento das atividades nucleares, precisamos nos manifestar e proporcionar informações aos candidatos.