ABDAN ASSINARÁ PARCERIA COM INSTITUTO DOS EUA PARA AQUECER AMBIENTE DE NEGÓCIOS NO SETOR NUCLEAR

ABDAN ASSINARÁ PARCERIA COM INSTITUTO DOS EUA PARA AQUECER AMBIENTE DE NEGÓCIOS NO SETOR NUCLEAR

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

celsoooEmpresas brasileiras e americanas do segmento nuclear vão estreitar mais os laços a partir da próxima semana. Na segunda-feira (3), no Rio de Janeiro, acontecerá o Primeiro Fórum de Energia Brasil-Estados Unidos (USBEF). O evento será cenário para a assinatura de um Memorando de Entendimento entre a Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN) e o Instituto de Energia Nuclear (NEI, em inglês). O presidente da ABDAN, Celso Cunha, contou ao Petronotícias quais serão as metas centrais do novo acordo. “O principal objetivo é fomentar a indústria nuclear brasileira. Ao longo dos últimos anos, nós perdemos muitas empresas que trabalhavam no país. O nosso objetivo com a NEI e com outras associações é no sentido de fomentar a cadeia produtiva”, explicou. Cunha ainda afirmou que a ABDAN também deve divulgar, em breve, duas novas parcerias com entidades de diferentes países, no sentido de reanimar o ambiente de negócios do setor nuclear brasileiro. “Acreditamos que esse é o caminho para termos uma indústria forte”, concluiu.

Ainda sobre o Fórum de Energia Brasil-Estados Unidos, o evento terá a presença do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e do secretário de Energia, Dan Brouillette. No encontro, será discutida uma agenda de cooperação conjunta com foco em três áreas de interesse mútuo: petróleo e gás; energia nuclear; e eletricidade/eficiência energética.

Qual o objetivo da assinatura desse memorando de entendimento entre a ABDAN e a NEI?

O principal objetivo é fomentar a indústria nuclear brasileira. Ao longo dos últimos anos, nós perdemos muitas empresas que trabalhavam no país. O nosso objetivo com a NEI e com outras associações é no sentido de fomentar a cadeia produtiva. Ou seja, que tenhamos mais empresas e mais associação entre as companhias brasileiras e estrangeiras desse setor.

Para isso, estamos construindo atividades que pretendemos realizar. Uma delas é que as empresas americanas estejam conosco no 1º Encontro Internacional de Negócios do Setor Nuclear, que vamos realizar entre 31 de agosto e 3 de setembro de 2020. A ideia é estreitar as relações com as empresas americanas. A NEI é uma associação similar à ABDAN, mas com muito mais associados, porque o mercado dos EUA é muito maior.

E como a ABDAN e a NEI pretendem fomentar a cadeia de empresas?

Depois da assinatura do memorando, vamos entrar em um período de detalhamento de ações. Nossa ideia é organizar missões brasileiras para os Estados Unidos, da mesma maneira que teremos agora uma missão de cerca de 15 empresas americanas no Brasil. Essa missão terá certa sinergia com outro evento, que é a chegada do secretário de estado de energia dos EUA durante o Fórum de Energia Brasil-Estados Unidos. Ele virá ao Brasil junto com uma missão para ter reuniões com o Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Durante esse período, vamos assinar esse acordo com a NEI.

Após esse acordo, vamos montar um road map de ações que vamos realizar para fomentar a cadeia de empresas, para atrair capital externo, para incentivar as empresas daqui a trabalharem fora do Brasil e também para as empresas estrangeiras trabalharem no nosso país.

Tudo isso começou com uma visita da ABDAN em junho do ano passado, quando fomos aos EUA. Visitamos a Westinghouse, a Holtec e a NEI. O resultado foi muito bom. Tanto que, seis meses depois, estamos assinando esse convênio.

Nessa reunião com a NEI, como o senhor enxergou o interesse das empresas americanas no mercado nuclear brasileiro?

O Ministério de Minas e Energia tem dado sinalizações claras de que o programa nuclear brasileiro vai avançar. O mundo está crescendo nessa linha. Existem cerca de 450 usinas nucleares operando e mais outras 50 em construção. Estamos em um período onde as pessoas começam a entender que a energia nuclear faz parte da solução mundial para a questão da descarbonização. É um dos vetores que devem ser trabalhados fortemente para reduzir as emissões dos gases do efeito estufa. Isso é muito importante. 

Como os Estados Unidos possuem um mercado de usinas nucleares muito maior, o setor de lá está muito solidificado. Mas não podemos achar que a solução está só nos EUA. Outras empresas de outros países virão também. Ou seja, temos um ativo muito interessante. Somos a sétima maior reserva de urânio do mundo. Dominamos o ciclo do combustível, temos uma economia para o setor de energia com previsibilidade e planejamento. Acredito que isso tudo tem sido sinalizado claramente para essas empresas.

Qual a importância dessa aproximação das empresas brasileiras com as americanas?

É fundamental. Ficamos muitos anos parados e muitas empresas fecharam ou ficaram em situação complicada. Quando não há mercado para fornecer, as empresas vão fechando. Em breve, iremos anunciar mais dois acordos com outras associações nesse sentido, de fomentar a cadeia produtiva no Brasil. Acreditamos que esse é o caminho para termos uma indústria forte. E não estou falando apenas de geração de energia, mas também de medicina nuclear, uso de radiação e todo um espectro de atuação.

Quais são as perspectivas da ABDAN em relação ao mercado nuclear do país neste ano de 2020?

Estamos com perspectivas extremamente positivas. O Plano Nacional de Energia 2050 deve ser lançado em março e o Plano Decenal de Energia foi para a consulta pública. Pela primeira vez, ele aparece com indicadores demonstrando que se quer construir um caminho para o uso da energia nuclear na matriz energética. Temos ainda avanços pelas demais áreas. O Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) continua andando. Ou seja, temos muitas boas notícias. A ABDAN está com uma agenda pesada para o ano. Ou seja, acreditamos que teremos um ano de muito trabalho pela frente.

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